sábado, 9 de outubro de 2010

A volta


O amor nasceu da insistência. Meio desconfiado, foi saindo da penumbra de mansinho, tentando pisar firme. Quando tudo ia bem, abandonou o guarda sol, o protetor solar e foi aproveitar o dia. Daí o sol resolveu partir, deixando em seu lugar apenas nuvens carregadas e o pobre amor desistiu de ficar. Dentro de sua garrafa com todas as coisas boas, se jogou ao mar, sem rumo. A real intenção era não voltar, e mesmo quando quis, não conseguiu porque não foi aceito de volta. Várias vezes mandou marujos seus visitarem sua antiga casa, marujos estes, que faziam um papel secundário, nada perto do que o verdadeiro capitão havia feito.
Se escondeu por muitos anos, quis voltar e não conseguiu, foi chamado e não ouviu. Até que finalmente, depois de muitas batidas, ele atracou no seu antigo porto (ainda cheio de receios causados pelas lembranças, um pouco impaciente e inseguro, mas com vontade). O amor chegou no balcão, pediu uma dose e disse: “ Vivo hoje pra morrer amanhã, e quem quiser me matar, por favor, faça-o rápido pra que de nada me lembre, quando viver novamente.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário